domingo, 26 de outubro de 2014

[Coluna] Querido diário, hoje eu descobri como é estar cheio de si

Por Pedro Reinert

FOTO: Arquivo pessoal
Fui dormir tarde na sexta feira. Não queria, tinha me planejado pra acordar cedo no sábado mas não resisti a mais umas partidas de FIFA.

Acordei na manhã de ontem (21) com o alarme gritando na minha orelha. Só cinco horas de sono, pelas minhas contas. Talvez não seria o suficiente, mas (in)felizmente era o que tinha. Nada me faria me enrolar nas cobertas e ficar dez, quinze minutos a mais na cama. Nada nesse mundo poderia se fazer mais importante do que esse sábado.

Sábado que, na verdade, começou na quarta feira; Eu tinha acabado de chegar do trabalho e recebi uma ligação do meu pai. Perguntou se eu estava bem e estranhamente também perguntou se eu faria algo na manhã de sábado. Respondi aquele "acho que não... não sei ainda" de quem tá com medo de ser intimado a ir pra casamento, pra igreja ou pro mercado. Com um tom autoritário, ele retrucou: "Então tá, não marque nada." Engoli a seco, já me despedindo das preciosas horas de sono; "Por que, pai?". Conforme sua voz foi saindo, eu senti um sorriso se abrindo do outro lado da linha. "Vamos na inauguração do Allianz Parque ver Ademir da Guia e Evair, porra!"

Depois daí, quinta e sexta feira foram um grande borrão na minha memória. Aí enfim, veio a hora de vestir minha surrada camisa número 7 do Edmundo e fazer um caminho que eu não fazia há quatro anos.

Ao estacionar o carro no terraço do West Plaza, deu pra ver aquele gigante de ferro e aço e seus braços verdes esgueirando-se entre as construções e as árvores que sempre estiveram ali. Foi como se, num piscar de olhos, literalmente de um dia pro outro, o antigo Palestra Itália tivesse evoluído para sua forma mais moderna sem que ninguém notasse. Todas as fotos, vídeos e animações que vi nos últimos anos não fizeram o mínimo sentido. Nada se comparava com o que agora existe naquele lugar.

Toda a caminhada da Antártica para a Turiassú passando por baixo da Passarela da Arrancada Heróica de 1942, o santíssimo ritual nas esquinas com a Caraíbas até o glorioso desfile por metros e metros pela calçada direita, sempre em fila indiana, que desagua no portão principal - hoje, Portão A.

Era como se eu estivesse sendo engolido. Conforme fui chegando perto da entrada, a enorme construção me olhava de cima, com imponência, porém ao mesmo tempo que sua estrutura metálica refletia todos os sorrisos e emoções dos palmeirenses que andavam em meu entorno. Não caiu a ficha de que tudo aquilo era real até atravessar a catraca.

Veio, então, a hora de subir as escadas rumo a arquibancada - que, pra mim, em qualquer jogo, em qualquer estádio, é o momento mais puramente bonita do espetáculo. No corredor que dá caminho aos assentos, aquele ofuscante clarão que só se desfaz com o primeiro passo que se faz para dentro dele, e ontem se desfez dando lugar à uma imagem que me deixou imóvel; foram três passos para dentro do estádio até eu ficar imobilizado, congelado, tentando encontrar alguma reação natural para aquele momento. Na minha cabeça, passei horas parado ali tentando mensurar a magnitude daquele lugar.

Fui acordado pelo meu irmão que gritou e sinalizou para que eu subisse até o lugar indicado no ingresso. Agora, sentado, mas sem deixar de me sentir uma criança diante de tanta grandiosidade, fui entretido por alguns vídeos no telão, animadores em campo e algumas homenagens. Parecia que o tempo de morrer de emoção já tinha passado. Eu estava errado, pra variar.

Entraram os jogadores - Ademir, Marcos, Velloso, Galeano, Evair, Sampaio, Jorginho, Cecílio... - e se colocaram perfilados para a execução do hino do Palmeiras e do hino nacional. Marcos Kleine, o guitarrista, apareceu pra interpretar o do Palmeiras, como de costume. Ao fundo, narrações históricas como a do pênalti de Marcelinho Carioca defendido por Marcos em 99... E aí não deu.

Olhei pro gramado, olhei pra toda aquela estrutura colossal, pra cada um dos jogadores em campo, pra torcida do meu lado... e desabei. Na minha cabeça não passou só um filme e nem alguma coisa palpável ou descritível. O que eu posso descrever é que comecei a chorar e não parei até a guitarra soar o último verso do hino.

O jogo em si, por sua vez, foi inesquecível; Marcos e Velloso com a mesma desenvoltura para dar pontes, Jorginho fazendo jus à bola que fez meu pai e tantos outros pais o idolatrarem e, principalmente, Ademir da Guia, aos 72 anos de idade, dominando uma bola forte, à meia altura, na intermediária, com a maestria e a classe dignas de um homem imortal... aliás, mais do que imortal; Divino.

Hesitei na hora de ir embora. Queria mais do que qualquer outra coisa ficar ali esperando o próximo evento ou o primeiro jogo oficial. Me senti parte de um novo capítulo na já tão grandiosa história do meu já tão grandioso clube.

Aliás, voltando ao "último verso do hino" supracitado, aquele é um verso que diz "Ostentando a sua fibra." Fibra que, no sentido figurado, significa energia, pulso e firmeza. Coisas que só existem quando o ser está cheio de si, e agora, novamente, o Palmeiras está cheio de si.

O Palmeiras, em essência, voltou a ser Palmeiras por completo e por inteiro pois tem de volta o seu lar.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Por onde for, quero ser seu par [Coluna]

por Ricardo dos Santos


Arquivo Pessoal


Era um dia frio e cinzento, como outros que já passaram na capital Paulista,e eu havia me livrado do escritório para ir comprar ingressos na "melhor casa de show da América Latina" como uns diziam com orgulho, outros em tom de galhofa.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Éramos moços...



depoimento de Vicenzo Ragognetti, um dos fundadores do Palestra Italia, registrado em 1968.


Passada meia noite, depois de uma longa, barulhenta e violenta discussão, eu saltei em cima de uma cadeira e gritei:

‑ Aqui viemos, meu grupo e eu, para fundar uma sociedade de futebol. Futebol entendem? Vocês só falam em clube de danças, de representação de peças teatrais pelos seus "filo dramáticos", e nem ligam para o futebol. Ou vocês acatam a idéia de tratar TAMBÉM de futebol, ou eu e meu grupo abandonamos o recinto!

Éramos moços. O que faz o moço sem violência?

[Centenário] A história que se conta

Por Ricardo dos Santos

Há muito o que escrever deste time, nesta data, mas tenho certeza que meus colegas o farão de maneira plena aqui neste espaço.

Quando alguém que gosto faz aniversário, além dos parabéns, desejo "uma vida de possibilidades".

Mas o Palmeiras por abrigar o desejo de felicidades de tantos, eu desejo mais.

E a melhor maneira de ilustrar, é lembrar o que minha filha de 09 anos (a época) disse, quando comemorávamos o título da Copa do Brasil de 2012.

Ela pensativa, olhou para mim e disse: 

"Que legal né Pai? Vou contar sobre essa noite para meus filhos!"


Juntos no municipal.



Este é meu desejo Parmera: conte minha história para meus filhos, seja a história que eles contarão para seus netos!

Palmeiras minha vida é você!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

[Centenário] Palmeiras é o amor que ultrapassa gerações



Por Nathalia Guarezi

O Palmeiras nasceu na minha família na década de 70, período em que meu avô escutava a primorosa Academia de Futebol pelo rádio, no Paraná. Naquela época, meus avós trabalhavam na roça e um dos momentos de lazer era acompanhar os jogos do Verdão. Foi assim que começou o amor alviverde na família. Primeira geração.

sábado, 21 de junho de 2014

[Coluna] Heroico


por Filipe Rufino

Eu tinha exatos dez anos, quando do sexagenário da Arrancada Heroica. No maldito ano em que caímos pela primeira vez, algo bom aconteceu: descobri quem era Oberdan Cattani.

sábado, 14 de junho de 2014

[Coluna] A imensurável Família Palmeiras


FOTO: Reprodução/BOL
Por Pedro Reinert

O que é a arte de se gritar gol? O que é a sensação única de não conseguir distinguir a beleza de uma bola se perdendo entre fios brancos e uma pintura de Botticelli? A tão graciosa sincronia entre o balançar das redes e a mudança de algarismos no marcador.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

[Coluna] Alguém se lembra da TV Palmeiras?



Por Pedro Reinert

Eu sabia. Por todo e qualquer canto que eu passei nesses últimos três meses em que a discussão se fizesse em torno do futebol brasileiro, eu despejava um pouco da minha porção de desconfiança acerca da situação vivida pelo Palmeiras - exatamente como está ilustrado no meu tweet logo acima (de 28/03). Juro que não era por mal, afinal, em que mundo um torcedor desejaria o mal do próprio clube?

quarta-feira, 30 de abril de 2014

sábado, 26 de abril de 2014

[Coluna] Histeria e Mesmice

Por André Falavigna

Preparem-se. A coisa é longa e não houve como deixá-la menos densa. Quem não tiver paciência – ou não souber ler, dá no mesmo – não perca tempo – o seu, o meu, o nosso. É chato estrear assim. Mas é como deve ser, desta vez.